edição 17 • ano 5 • abr/mai/jun 10 | HOME |
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Uma década de iniciativas
bem-sucedidas
 

"Se para os negócios existe um sofisticado sistema de
informações, na área
de investimento social
não poderia ser diferente"

Fernando Rossetti

 

Radiografia do investimento social

Elaborado a cada dois anos, o Censo GIFE retrata a evolução do investimento social no Brasil e revela tendências e oportunidades

Com a intensificação do debate sobre a capacidade do Estado em atender às demandas sociais, conceitos como terceiro setor e responsabilidade social empresarial ganharam relevância no fim dos anos 1980. Os empresários brasileiros perceberam que poderiam ir além do assistencialismo e contribuir com mais eficácia para a transformação da sociedade. Nesse contexto nasceu, em 1995, o Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE), organização sem fins lucrativos que hoje conta com 124 associados e tem no seu Conselho de Governança o vice-presidente do Grupo IBOPE, Luís Paulo Montenegro. Para cumprir sua missão de aperfeiçoar e difundir conceitos e práticas do uso de recursos privados em prol do
bem comum, o GIFE atua em diversas frentes. Entre suas iniciativas destaca-se
a realização de um censo bienal sobre o Investimento Social Privado (ISP) de seus associados, utilizado por empresas e entidades governamentais como referência no planejamento de políticas sociais.

A revista Giro entrevistou o secretário geral do GIFE, Fernando Rossetti, que falou sobre o Censo 2009-2010, realizado em parceria com o Instituto Paulo Montenegro e com o apoio do IBOPE Inteligência.

Giro: O que motivou o GIFE a criar um censo sobre investimento social na iniciativa privada?
Fernando Rossetti: A intenção do GIFE é produzir conhecimento sobre o que se faz de mais avançado em investimento social no Brasil. O Censo surgiu como uma contribuição adicional para que as empresas e demais instituições planejem melhor suas ações sociais. Eu diria que é uma das pesquisas mais refinadas sobre o setor na América Latina, pois mostramos em que áreas os investidores atuam, com que valores e prioridades, entre outras questões. A iniciativa deu resultado, pois, ao mesmo tempo que ajudamos nosso associado a se posicionar, revelamos tendências e indicamos espaços e oportunidades para um investimento mais eficaz em ações sociais, culturais e ambientais.

Giro: Desde quando vocês realizam o Censo?
FR: Começamos em 2000, mas a metodologia se desenvolveu bastante ao longo dos anos, por isso passamos a considerar a série histórica a partir do Censo GIFE 2005-2006.

Giro:Que inovações foram introduzidas a partir do Censo 2005-2006?
FR: Para realizar o Censo contamos sempre com o apoio de uma empresa associada. Em 2005, nosso patrocinador queria reposicionar seus projetos voltados para a educação. Decidimos, então, produzir também o Censo GIFE Educação. Esse estudo complementar revelou haver muitas ações voltadas para o ensino fundamental e poucas para a educação infantil e o ensino médio. As informações foram úteis para o patrocinador decidir concentrar sua atuação no ensino médio. No Censo 2007-2008, abordamos a juventude e, no de 2009-2010, nos profundaremos
no tema cultura.

Giro: Em que estágio se encontra o Censo 2009-2010?
FR: Concluímos a coleta de dados em abril, desta vez com um nível de adesão de 85% dos associados, porque contamos com pesquisadores preparados pelo IBOPE e pelo GIFE para a realização desse trabalho, ao contrário dos anos anteriores, em que os formulários foram enviados e devolvidos por email. Este ano vamos usar alguns dados extraídos do Censo para realizar pesquisas qualitativas com grupos de especialistas da Rede GIFE e enriquecer a análise.
O lançamento oficial será em setembro, mas já apresentamos uma prévia no 6º Congresso GIFE, que realizamos em abril, no Rio de Janeiro (RJ).

Giro: Quais são as tendências para o investimento social privado?
FR: Em nosso congresso, lançamos um documento chamado Visão para o Investimento Social Privado em 2020. Construído a partir de informações levantadas pelo Censo, ele tem três eixos: a relevância do investimento, a sua abrangência e quem realiza esse investimento. De modo geral, os realizadores evoluíram na avaliação de resultados, mas é possível melhorar a qualidade dessas avaliações. Outro dado relevante é o de que os censos mostram um maior investimento em educação, cultura e juventude, em detrimento de áreas como direitos humanos, por exemplo. Além disso, há uma tendência de investir mais nas Regiões Sul e Sudeste, nas quais estão os locais onde a riqueza é gerada. Ou seja, o Censo sinaliza que há oportunidade para atuar em outras frentes e também em outras partes do Brasil.

Giro:Além de identificar tendências, que outras leituras o Censo GIFE permite?
FR: O GIFE apoia a profissionalização do setor e uma de suas funções é a de estimular a troca de experiências e contribuir para a elaboração de planos estratégicos em investimento social. Nesse sentido, a cada evento utilizamos os dados do Censo mais relevantes para o tema em questão. Com as informações qualificadas extraídas do Censo, ajudamos empresas e demais entidades diversificarem suas ações e a ampliarem sua abrangência geográfica e mostramos
que, além de implementar projetos próprios, é possível estabelecer parcerias ou contribuir com fundos especializados em projetos sociais. Também dialogamos com ministérios, secretarias e demais setores do governo para os quais fornecemos os
dados do Censo. O alinhamento das iniciativas privadas com as políticas públicas é necessário para não haver sobreposição de ações.

Giro: Há mudanças previstas para os próximos censos?
FR: Pretendemos alinhar os dados das próximas edições do Censo GIFE com alguns levantamentos internacionais, como o realizado pela Foundation Center, nos Estados Unidos. Isso é muito importante, principalmente para as empresas com atuação internacional. Se para os negócios existe um sofisticado sistema de informações, na área de investimento social não poderia ser diferente.

Giro: Como funciona a parceria entre o GIFE e o Instituto Paulo Montenegro?
FR: O Instituto Paulo Montenegro, liderado por sua diretora executiva, Ana Lúcia Lima, uma pessoa com muita vivência em pesquisa, é quem nos ajuda a construir toda a lógica do Censo, e os profissionais do IBOPE Inteligência realizam o trabalho de campo. Uma valiosa parceria.

Fernando Rossetti é cientista social e secretário geral do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE).

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A. Cajado • Diretora de recursos humanos e organização - Amélia Caetano • IBOPE Media: CEO - Flavio Ferrari • Diretor executivo - Antonio Ricardo Ferreira • Diretora comercial - Dora Câmara • IBOPE Inteligência: CEO - Márcia Cavallari • Diretora executiva de marketing e novos negócios - Laure Castelnau • Diretor executivo de negócios e operações Latam - Marcelo Kac • Diretor executivo de desenvolvimento e soluções técnicas - Ney Luiz Silva • Instituto Paulo Montenegro: Diretora executiva - Ana Lúcia Lima

GIRO
Publicação trimestral corporativa do IBOPE para públicos interno e externo • supervisão e edição: comunicação institucional, Taís Bahov (MTb 53.300) • textos: Antonio Liutkevicius • edição de arte e produção gráfica: D´Lippi Design + Print • fotos: Shutterstock, Stockexpert e Paulo Pampolim • revisão: Eliete Soares • impressão: D’Lippi Print • tiragem: 10,5 mil exemplares • endereço para correspondência: Alameda Santos, 2.101 8º andar – São Paulo/SP – CEP 01419-002 – comunicacao@ibope.com. A versão eletrônica da publicação está disponível no endereço www.ibope.com. Autorizada a publicação dos dados contidos nas matérias desde que citada a fonte.