PESQUISADORES DE VANGUARDA
Congresso brasileiro de pesquisa discute tendências do setor com a presença de representantes do Grupo IBOPE
Refletir sobre a importância
do Brasil no contexto
internacional é o desafio do
4º Congresso Brasileiro de
Pesquisa – Mercado, Opinião e Mídia.
Organizado pela Associação Brasileira
de Empresas de Pesquisa (Abep), o
evento reuniu, nos dias 22 e 23 de
março, em São Paulo, profissionais de
renome para apresentações de estudos
exclusivos. Entre eles, cinco papers são
de autoria de profissionais do IBOPE e
da Millward Brown do Brasil, empresa
do Grupo IBOPE.
Sustentabilidade
Critério Brasil de Sustentabilidade foi o tema do paper escrito pelo
diretor regional do Target Group
Index, Roberto Lobl; pela gerente do
centro de informação e documentação
do IBOPE, Joanita Lopes; e pelo
coordenador de negócios do Target
Group Index, Renato Teixeira.
O trabalho foi motivado pela percepção
de que os critérios para medir níveis
de sustentabilidade se baseiam nas emissões de gases de efeito estufa por
governos e empresas, mas não avaliam os indivíduos.
Para chegar até o cidadão, foram
coletadas informações sobre utilização
individual dos meios de
transporte, principais
emissores de CO² per capita, tempo gasto
nesses meios e tipos de
combustíveis utilizados,
além da opinião da população diante
de ações sustentáveis.
“Os indivíduos de níveis
socioeconômicos elevados são os que
mais consomem e, naturalmente,
mais poluem. Porém, também são
mais conscientes, e a tendência é
a de que eles propaguem hábitos
mais sustentáveis”, explica Lobl. “As
empresas de pesquisa têm um papel
fundamental na fase da discussão sobre
sustentabilidade, pois suas informações
podem colaborar para que as empresas
entendam melhor o consumidor e
ofereçam produtos que apoiem hábitos
mais sustentáveis”, explica.
Economia
As tendências depois da crise
financeira mundial estão em destaque
no paper Pós-crise: E agora?,
apresentado pela diretora executiva de
atendimento e planejamento, Laure
Castelnau, e o analista de pesquisa,
Artur Gimenes, ambos do IBOPE
Inteligência. O trabalho teve
como ponto de partida os estudos realizados pela rede internacional
de empresas de pesquisa Worldwide
Independent Network of Market
Research (WIN), em parceria com o
IBOPE Inteligência, sobre os efeitos da
crise nos diversos países. Foram feitas
23.660 entrevistas em 24 nações no
final de 2009.
O paper mostra um consumidor
bastante preocupado e precavido: na
média mundial, 50% cortaram alguma
despesa de vestuário, 47% reduziram
gastos com lazer e 45% adiaram
compras maiores para a casa, como,
por exemplo, eletrodomésticos.
Entre as tendências para o pós-crise
está o crescimento dos países
emergentes: em 2007, o Produto
Interno Bruto (PIB) no mundo era
de US$ 41 trilhões, com 63% de
participação dos países ricos e 37%
dos pobres. Para 2014, a projeção do
Fundo Monetário Internacional (FMI) é
a de que o PIB seja de US$ 89 trilhões,
sendo 49% provenientes dos países
ricos e 51% dos pobres. Outra tendência observada, é a do
aumento da participação dos governos
na gestão da economia. A pesquisa também avaliou o
impacto da crise do ponto de vista
psicológico, utilizando indicadores como
estresse, ansiedade e perda de sono.
Os mais estressados são mexicanos,
norte-americanos, chineses e
argentinos. Do lado oposto, com níveis
menores de estresse, estão brasileiros,
australianos, indianos, russos e a
população de alguns países árabes.
No contexto das relações humanas,
é forte a mudança no estilo de liderança
das empresas: “A opinião pública
percebe que o líder precisa ouvir mais
seus funcionários”, afirma Laure.
A conclusão do trabalho traz
uma indagação: “Participamos
da crise mundial com
tranquilidade. Será que o
Brasil do futuro chegou?”,
questiona a executiva.
O poder infantil na rede
O estudo Internet e o consumo
infantil, de autoria da gerente de
planejamento e atendimento, Gisele
Agnelli, e da analista de atendimento ao
cliente, Aline Souza, ambas da Millward
Brown do Brasil, buscou entender qual
é a influência da internet no poder de
escolha das crianças. Constatou-se que
o uso da internet está crescendo entre
crianças até 12 anos. “Sabemos que no
Brasil os adultos ficam mais tempo na internet do que em todo o mundo.
Esse comportamento se reflete nos
pequenos, que utilizam a rede em média
13 horas por semana”, afirma Gisele.
Para a executiva, a televisão é o
local onde a marca é construída, mas
o meio digital intensifica sua relação
com o público infantil por ser mais ativo.
“O desafio das marcas é o de oferecer
recursos que as crianças naturalmente
vão buscar na internet. É preciso
construir conteúdos divertidos,
interessantes e personalizados”, ressalta.
Consumidor digital
O papel da internet no mix dos
meios foi o tema apresentado pela
diretora executiva da Millward Brown
do Brasil, Valkíria Garré. Ela analisou
dados de avaliação de campanhas
para perceber qual é a contribuição
dos meios de comunicação e como a internet se encaixa nesse contexto.
Foi feito um estudo com 50
adolescentes para saber como
eles relacionam-se com marcas e
propagandas na rede, por meio de uma
pesquisa qualitativa online que utilizou a
metodologia IdeaBlogTM, desenvolvida
pela empresa. “Fica claro que o jovem
ainda tem na mídia tradicional um local
interessante para ver propaganda. Hoje,
para ganhar relevância na internet,
é preciso ter um diferencial. O jovem
entra para se relacionar com amigos e,
se uma marca quer ter uma experiência
com ele, tem de oferecer algo que o
interesse”, explica Valkíria.
Um novo desafio
O que os widgets fazem por você?
Recriando o relacionamento entre marcas
e consumidores foi o tema do estudo
escrito pela gerente de atendimento
ao cliente da Millward Brown do Brasil,
Adriana Sousa. O objetivo foi aprofundar
as razões da potencialidade dos widgets (pequenos aplicativos conectados à internet que oferecem informações e
serviços de forma rápida) como nova
ferramenta de marketing online.
Adriana ouviu profissionais da área
de marketing e cerca de 50 jovens
consumidores com o objetivo de
conhecer o impacto desta ferramenta
na vida das pessoas, como ela funciona
no Brasil e qual é o Retorno sobre este
Investimento (ROI). “Se as empresas
conseguirem utilizar esta ferramenta
com diferencial e para gerar conteúdo
para as marcas, conquistarão mais
consumidores. O desafio para os
pesquisadores será o de como medir a
eficiência dessas ações e o ROI para os
clientes”, conclui. |